Arquivo do Génio Esquecido

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Memória Entre Vidas

Maria Archer
(1899 – 1982)
Escritora, jornalista e ativista

Nascida em Almodôvar, viveu parte da infância em Moçambique, experiência que moldou a sua visão do mundo e viria a marcar profundamente a sua escrita. Autodidata, concluiu a 4.ª classe, mas construiu uma voz literária moldada pela vida entre Portugal e as colónias africanas. Nas crónicas, romances e reportagens, não narrava: confrontava. Revelava realidades ásperas e complexas, o que a colocou em choque com o regime salazarista.

Em 1945 aderiu ao Movimento de Unidade Democrática (MUD). Seguiu-se uma censura implacável: Casa Sem Pão (1947) foi apreendido e a PIDE invadiu-lhe a casa.

Sem sustento e sob vigilância constante, partiu para o exílio no Brasil em 1955. Doente e na penúria, continuou a escrever contra a ditadura. Os Últimos Dias do Fascismo Português (1959) só pôde ser publicado fora do país.

Regressou fragilizada em abril de 1979. Morreu esquecida e desprovida, numa pátria que lhe recusou a liberdade e o reconhecimento. Só a História lhe tem devolvido lentamente o lugar que o seu tempo lhe negou.

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